Relato de viagem do fotógrafo Eduardo Moreira pelos caminhos do meio-oeste americano. Parte 2
O Monument Valley é um parque estadual explorado, pela nação Navajo. Nação Navajo?!!! Exatamente!!! por aqui, algumas tribos possuem o direito de auto governar as suas terras. Têm suas próprias leis (desde que não interfiram nas leis federais e estaduais), seus governantes, gerenciam a sua economia e dão graças a Deus de não existir uma FUNAI por aqui!!!
O Monument Valley ficou muito conhecido por ter aparecido em inúmeros filmes, os mais marcantes os faroestes do premiado diretor John Ford, em De Volta para o Futuro 3 e no desenho animado Cars, da Pixar.
Depois do Monument Valley fomos para o Mesa Verde National Park. É o único parque nacional americano criado para proteger uma obra feita pelo homem. São ruínas feitas por antigos índios e abandonadas ao redor do ano de 1200. Como não deixaram nada escrito, pouco se sabe desses índios, chamados por alguns de Anassasi. Seus descendentes são os índios Hopi, Zuni, entre outros. As ruínas são de embasbacar, construídas em fendas de rochas, dependuradas em despenhadeiros de mais de 100m.
Arches é algo incrível e tem a maior concentração de arcos naturais do mundo.
Toda a região foi, há milhões de anos atrás o fundo de um vasto oceano. Por isso, as rochas são de arenito, uma areia super comprimida, mas se é dura para nós, é muito porosa e sujeita à erosão da água e do vento. E a cor é o mesmo rosa de Antelope Canyon.
O grande problema é que os arcos, com raras (e pouco honrosas) exceções, estão a uma boa distância da estrada principal do parque. Todos os arcos mais bonitos precisam de uma BOA caminhada.
A começar do primeiro que visitamos, logo no primeiro dia, depois de uma longa e cansativa viagem desde o parque Mesa Verde.
Pela informação que eu tinha o Delicate Arch, considerado o mais bonito de todos e símbolo de estado de Utah, ficava a menos de uma milha de distância em trilha de dificuldade média.
Já que todo fotógrafo que pesquisei recomendava que ele fosse fotografado ao por de sol, lá fui eu para aproveitar os poucos minutos disponíveis que o dia ainda tinha.
E toca a caminhar, e a subir em pedra, e a subir morro, e ver o tempo passando...
Gente, com o perdão da má palavra, PUTAQUISPARIU!!! O danado do Delicate Arch ficava mais de uma milha e meia (mais ou menos dois quilômetros e meio) morro acima, numa das trilhas mais extenuantes do parque.
Cheguei lá uns quinze minutos antes do por do sol, depois de quase uma hora de caminhada, cuspindo o pulmão e o coração boca pra fora, e chingando o FEADAPUTA que disse que era perto e que a trilha era fácil!!!
Levei uns cinco minutos para sair do coma em que estava e conseguir tirar a primeira foto. Mas, cá para nós, valeu a pena!!!
Landscape Arch, considerado o arco natural mais longo do mundo, com mais de 88 metros de extensão. Para mim, tirando o Delicate Arch, é o arco mais bonito do parque e vale a milha e meia de caminhada.
Turret Arch visto por dentro da fenda do North Window Arch; para tirar essa foto, tive que "invadir" uma área proibida e subir umas rochas escarpadas... mas acho que valeu a pena o sacrifício. Esse é o lado oposto ao da foto anterior
Delicate Arch!!! É óbvio que eu tinha que deixar para o final esse fantástico arco! Tirei mais de 80 fotos desse arco e tive que jogar fora uma boa quantidade. Sobraram umas 30 que ainda precisam de tempo e paciência para peneirar aquelas que realmente merecem ficar no arquivo. Tem muito foto boa, mas selecionei essa que considero especial, concorda?!!! Agora me diga: valeu ou não valeu o sacrifício da ida e voltar aquele percurso num baita breu da noite?!
Nenhum comentário:
Postar um comentário